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12 de abr de 2017

{Resenha} - Thirteen Reasons Why



Um drama. Uma reflexão. Uma história.

E uma bela produção da Netflix!



“Hey, it's Hannah. Hannah Baker. Don't adjust your... whatever device you're hearing this on. It's me, live and in stereo. No return engagements, no encore, and this time, absolutely no requests. Get a snack. Settle in. Because I'm about to tell you the story of my life. More specifically, why my life ended. And if you're listening to this tape... you're one of the reasons why. I'm not saying which tape brings you into the story. But fear not, if you received this lovely little box, your name will pop up. I promise”

Assim começa uma das séries mais reflexivas da Netflix.

Thirteen Reasons Why (Os 13 porquês), conta a história de Hannah Baker, uma adolescente comum que, após enfrentar uma série de problemas, alguns bastante perturbadores, decide gravar fitas com 13 razões que a levariam ao suicídio. Na história, Hannah deixa instruções para que as fitas passem de mão em mão aos envolvidos em sua história. Caso a regra fosse desobedecida, um segundo conjunto de fitas, deixada com uma pessoa de confiança, seria enviado as autoridades.

A partir daqui o texto conterá SPOILERS, então se você ainda não viu a série, recomendo parar de ler o texto.


Embora o aviso acima seja verdadeiro, a série não tem muitas reviravoltas no que diz respeito ao plot inicial. A história começa com Hannah já morta. A menina cometeu suicídio, marcando a escola que frequentava de um jeito profundo. Logo somos apresentados a Clay Jensen, um colega de Hannah que, ao receber as fitas, fica impressionado com o conteúdo. Seu amigo, Tony, o encoraja a continuar ouvindo para que ele descubra a história de Hannah. Depois ficamos sabendo que Tony havia prometido a Hannah a divulgar sua história entre os envolvidos, garantindo que as regras fossem cumpridas.

Clay é um garoto pacato, introspectivo e de poucos amigos. A série nos mostra cenas do presente e do passado, onde Clay conhece Hannah no trabalho e começam a desenvolver uma amizade. De cara vemos os sentimentos de Clay, mas Hannah tem um maior interesse em garotos populares, o que não era o caso de Clay.

O desenrolar da série vamos percebendo o real objetivo do roteiro: Promover uma discussão sobre o tema do bullying e seus malefícios. Temas secundários como a exposição excessiva que a internet proporciona, drogas, álcool e homofobia também são explorados, bem como as questões que envolvem a depressão, suas causas e a dificuldade em se diagnosticar e tratar.

Após um encontro inicialmente bem sucedido com Justin Foley, Hannah vê suas fotos, tiradas por Justin, vazarem na escola. Logo a garota fica com uma fama de "fácil" entre seus colegas.

Os desencontros não param. Hannah desenvolve novas amizades com Jessica e Alex. Tempos depois os dois passam a namorar, abandonando Hannah e, para piorar, Alex decide fazer uma lista onde Hannah aparece como "a gostosa" da escola, ajudando sua fama a crescer e piorando a vida da garota, uma vez que toda essa exposição gera muito mais problemas em sua mente do que alegria.

Os 13 porquês vão sendo revelados um a um, com os respectivos nomes dos envolvidos. Enquanto Clay escuta as fitas e revive alguns momentos, vemos no presente todo o impacto causado pela atitude de Hannah. Seu pais, enfrentando dificuldades financeiras, se questionam de não ter percebido nada de errado com a filha e se culpam por não ter evitado. Os colegas, cujos nomes são citados nas fitas, tentam esconder o que fizeram, na tentativa de seguirem com suas vidas. Percebemos que Clay era apaixonado por Hannah, mas nunca revelou de forma verdadeira esse sentimento.

E aqui a série acerta em cheio na minha opinião, trazendo a tona que sempre arcamos com as consequências dos nossos atos, não importam o quão pequenos eles são. Seja uma placa de pare que quebramos na rua e não tomamos a providência, e mais tarde vemos um acidente ocorrer justamente por essa atitude. Ou o consumo excessivo de bebidas alcólicas que levam uma adolescente a ficar tão mal a ponto dela ser abusada secxualmente por um colega. 13 Razões acerta ao expor isso na cara de todos e nos leva a refletir sobre estes atos, muitos deles considerados normais pela sociedade.

O questionamento não para por aí. A série pergunta sobre como cuidamos uns dos outros. Como enfrentamos as situações reais da vida e como elas afetam todo um ambiente. Uma piada sobre um colega de classe pode ter um impacto enorme na vida de alguém. Só porque achamos que a piada é inofensiva, não quer dizer que todos achem. Aqui a série mostra que devemos levar em consideração a opinião do outro em todos os momentos.

Desde o relacionamento familiar, passando pelos conselheiros de uma escola e chegando aos amigos mais próximos, 13 Razões nos ajuda a entender o porquê de os especialistas falarem que a depressão é a doença do século 21. Ela deve ser encarada com seriedade e muito cuidado tanto por pais, professores e colegas.

Hannah Baker é interpretada por Katherine Langford, que atua com perfeição. Ao longo dos episódios vemos uma menina animada e alegre ir se transformando numa adolescente depressiva e oprimida. Seu jeito de andar muda. Sua expressão facial e até mesmo sua voz ficam diferentes. Estes sinais podem e devem ser observados na vida real e a série faz questão de mostrar isso. Clay, interpretado brilhantemente por Dylan Minnette, também mostra essa mudança. Sua mãe percebe, mas fica impotente diante do medo que paira sobre os pais, principalmente após um suicídio tão perto. Os dois atores, que são os protagonistas da série, passam uma verdade em suas ações de maneira convincente.

Destaco a atuação de Kate Walsh, como Olivia Baker, mãe de Hannah. Os flashbacks que mostram a mulher antes do suicídio da filha e depois são impressionantes. Não imagino a dor que sofre uma mãe ao ver sua filha morta. Kate transmite uma emoção fortíssima e a dor profunda ao tentar descobrir a verdade e tentar perceber onde foi que ela errou ao não notar a mudança da filha.

Alguns episódios vem com recomendações iniciais por conterem cenas fortes. Se eu não me engano são os dois episódios que mostram as cenas de estupro de Jessica e Hannah, ambas cometidas por Bryce Walker, um atleta da escola, muito popular e sem o menor pudor, e o episódio final que mostra a cena de suicídio de Hannah.

A cena vem gerando debates, pois alguns acreditam que mostrar de forma explícita como foi, causa mais impacto para o lado de proporcionar vontade a alguém que deseja se suicidar e prosseguir com o ato do que de conscientizar. Eu discordo, mas achei bem impactante a cena final, onde Hannah corta seus pulsos e espera pela morte. Não é uma cena para qualquer um.

Com Selena Gomez na produção executiva e dirigido por Tom McCarthy, 13 Reasons Why acerta em proporcionar a discussão e dar foco a um problema real. Dados do pós lançamento mostram que a procura por ajuda cresceu após a estréia na Netflix, o que já é uma vitória para a série.

E aqui deixo a recomendação para você que está passando ou conhece alguém que pode estar passando por problemas parecidos: Procure ajuda!

Procure seus pais, um conselheiro, um amigo. Você não está sozinho! Você não precisa enfrentar a depressão, o bullying, a vergonha, nada disso sozinho ou sozinha. Existe saídas melhores do que a morte e você pode ser feliz novamente.

Movimentos vem sendo feitos para amparo a pessoas que sofrem bullying ou sofrem de depressão e ansiedade. Converse com sua escola sobre a criação de urnas para denuncias anônimas e se envolva em campanhas contra esta prática. Acho que um dos fundamentos da série é que não sejamos um "porquê" na vida de alguém e sim um escape para ajudar a tratar os malefícios desta prática tão comum e que causa transtornos para uma vida inteira.

Não seja um motivo. Seja uma ajuda!

Um abraço a todos.


2 comentários:

  1. Olá

    Ainda não vi a série e nem li o livro. Estou querendo muito ver e ler também rsrsrs. Gosto dessa temática, acredito que precisamos muito falar sobre esse assunto ainda. 😙

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  2. Eu li o livro e amei ♥
    Estou muito ansiosa (e com medo também :s) para ver a série hahah
    Sei que é um tema forte, mas, principalmente, um tema necessário. Precisamos conversar sobre ele e entender que ele existe. Bullying não é só uma brincadeirinha. Ele tira a vida de pessoas todos os dias.

    Beijos,
    Flávia Bergamin
    http://voceetaolivro.com.br/

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